Medicina Natural

14/04/2008 (09h04) - Atualizada em 14/04/2008 (09h04)

Especialistas da América Latina e Caribe discutem recursos genéticos animais




Especialistas de 12 países da América Latina e Caribe estão reunidos na Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Brasília, DF, até o próximo domingo, dia 13 de abril, com o objetivo de discutir os rumos para a pesquisa de recursos genéticos animais.


O evento é uma iniciativa da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e o Brasil foi o país escolhido para sediá-lo por ser o mais adiantado nas pesquisas na região que compreende a América Latina e Caribe.


As pesquisas na área de recursos genéticos animais têm como objetivo principal assegurar a conservação de raças locais ou naturalizadas de animais de interesse agropecuário.


Muitas dessas raças, que incluem bovinos, eqüinos, caprinos, suínos, ovinos, asininos e bubalinos, estão ameaçadas de extinção pela substituição por outras consideradas mais produtivas ao longo dos séculos.




O desaparecimento dessas raças, muitas vezes seculares, poderia representar a perda de um inestimável material genético, já que possuem características de adaptabilidade e rusticidade adquiridas com o decorrer do tempo, que têm muito potencial para programas de melhoramento genético animal, como resistência a doenças e estresses climáticos, por exemplo.


Plano Global de Ação


Diante da importância de conservar esses recursos genéticos animais, a FAO coordena o Plano Global de Ação para Recursos Genéticos Animais, que inclui cerca de 200 países em todo o mundo. De acordo com levantamento realizado pela Organização, existem no mundo 7.616 raças de animais domésticos de interesse para a pecuária, das quais 690 já estão extintas.


Diversidade genética


Segundo a coordenadora do Plano de Ação, a representante da FAO na Itália, Irene Hoffman, que está participando do evento no Brasil, esse número foi levantado a partir de relatórios enviados pelos países.


O risco de extinção global estimado pela FAO é de 20%, sendo que o perigo é mais iminente nos países de primeiro mundo, nos quais a diversidade genética está desaparecendo mais rapidamente.


Hoffman explica que a divisão por regiões facilita o trabalho da FAO em identificar problemas e tentar soluciona-los. O ponto focal da FAO para a região que compreende os países da América Latina e Caribe é o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Arthur Mariante e, de acordo com a representante da FAO, “O Brasil foi escolhido para sediar o evento regional por ser o mais avançado nas pesquisas na área de conservação de recursos genéticos animais nessa região”.


Entre as prioridades do Plano Global de Ação coordenado pela FAO estão a cooperação internacional entre países para garantir o aporte de recursos financeiros, o fortalecimento das políticas públicas das nações envolvidas, o incremento formação de redes entre os participantes do processo, como instituições de pesquisa, universidades, entre outros, e o treinamento dos pesquisadores e técnicos que desenvolvem trabalhos na área de recursos genéticos animais.


Agregação de valor e união: fundamentais para a conservação animal


Outro ponto importante levantado pelo representante da Bolívia foi a necessidade de identificar nichos de mercado para os produtos derivados das raças locais ou naturalizadas. Segundo ele, essa é uma forma bastante eficiente de agregar valor e ressaltar a importância desses animais para a sociedade em geral. Com relação a essa questão, o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Arthur Mariante, afirma que isso já vem sendo feito no Brasil, especialmente com a ovelha crioula lanada.


Hoffman destaca ainda como fundamental para o sucesso da conservação das raças de animais domésticos ameaçadas de extinção a interação cada vez mais forte com as associações de criadores. No Brasil, isso também já vem sendo feito com êxito, como afirma Mariante, o que resultou na garantia de conservação de raças bovinas, como a Caracu e Crioulo Lageano, que já estão praticamente livres do risco de desaparecimento, graças união entre a Embrapa, associações de criadores e universidades.


O evento se estende até o próximo domingo ( 13 ), quando os participantes visitam o Campo Experimental Sucupira, da Embrapa, onde encontram-se diversos animais que compõem o Programa de Conservação da Empresa, incluindo bovinos, eqüinos, caprinos, suínos, ovinos e asininos. Eles vão conhecer também as pesquisas de biotecnologia da reprodução animal que resultaram no nascimento dos primeiros clones bovinos da América Latina.




FONTE/FOTO - Embrapa